quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mudar de cidade

Acho que, pelo menos uma vez na vida, uma coisa que todo mundo devia fazer é morar em outra cidade. Nem que seja apenas por um tempo.
É uma grande experiência, mesmo quando não dá certo e a gente descobre que tudo que quer é voltar para onde morava.

Ver a vida com outros olhos, com referenciais diferentes daqueles em que fomos criados, ouvir diferentes sotaques e maneiras de se chamar as coisas, de pedir café, de comprar pão, de ler jornal e comentar as notícias, tudo isso pode fazer a gente se conhecer muito e descobrir mais sobre si mesmo do que imagina.

Eu não costumava pensar, por exemplo, em como a geografia de uma cidade, suas formas e belezas naturais e o planejamento (ou não) dos espaços urbanos alteravam e produziam os jeitos de se habitar tais espaços, incluindo aí os jeitos de ser e de se colocar na cidade.

Nesse sentido, e apenas nesse, gostei da mudança. Mas estou muito feliz, mas feliz mesmo, que estaremos voltando para casa em 2010.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Literatura Digital na Feira do Livro

Vários temas legais a serem discutidos em oficinas, mesas-redondas e bate-papos na I Semana de Literatura Digital da Feira do Livro de Porto Alegre.
Muito em tempo: a discussão sobre o futuro do livro e sobre o ensino de literatura diante das tecnologias digitais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Eventos legais no agendão da ufrgs

Dois eventos que eu não queria perder:

Encontro Criança e Consumo, dia 27 de outubro, várias atividades (das 14h às 20h30) com entrada franca, na sala II do Salão de Atos da ufrgs.

Encontro com o Frank Jorge - o rock e o pop porto-alegrense - no dia 29 de outubro, às 19h, no mezzanino do museu da ufrgs, também com entrada franca.

domingo, 11 de outubro de 2009

Escrita e internet

Tenho encontrado em vários artigos e postagens de blogs educacionais, comentários sobre resultados da pesquisa sobre escrita de estudantes norte-americanos do Stanford Study of Writing, coordenado pela pesquisadora Andrea Lunsford.

Uma das últimas postagens que li sobre o tema foi a do blog Mídias e Educação, que indica o artigo de Clive Thompson na revista Wired, em que o autor também comenta os resultados dessa pesquisa.

Embora seja no contexto norte-americano, acho que são ótimas notícias: os jovens de hoje escrevem mais do que as gerações anteriores, além de terem mais claro para quem se escreve e por que se está escrevendo (conclusões muito similares ao que encontrei em minha pesquisa sobre produção e de texto e uso de blogs como espaço de publicação).

Tal fato é muito difícil de se encarado pelos professores em geral, que ainda culpam o uso de tecnologias pelos jovens como fonte de produção de textos curtos, pobres e auto-centrados. Para Andrea Lunsford, trata-se de uma revolução no mundo da escrita, pois o uso de tecnologias não está acabando com a habilidade de escrever, mas modificando, reinventando e levando-a novos rumos.

Além de escreverem mais depois da internet, para a pesquisadora, o nível da prosa dos estudantes também melhorou consideravelmente, pois eles adaptam melhor seus textos de acordo com seus interlocutores e estão mais conscientes do que pode ser considerado um bom texto (algo que tenha um efeito no mundo, segundo definiram em entrevistas). Ou seja, os jovens estão discutindo, comentando filmes, se relacionando, fazendo coisas no mundo e não apenas escrevendo para serem avaliados pelo professor.

São excelentes notícias. Mas acho que também é necessária uma mudança nos educadores. Para que possamos ver o lado bonito dessa transformação na escrita, é preciso estar mais atentos e abertos a tais mudanças e deixar de lado os velhos preconceitos. É claro que viver um momento assim de virada de paradigmas mexe muito com quem quer simplesmente "escolarizar" os gêneros digitais para ter o poder de dizer o que está certo e errado. Mas olhando a cena maior, não é o que sempre quisemos (como professores de produção de textos, por exemplo)? Que nossos alunos pudessem se permitir usar a escrita e fazer coisas no mundo por meio dela?

Vida como obra de arte

"O que me surpreende é o fato de que, em nossa sociedade, a arte tenha se transformado em algo relacionado apenas a objetos e não a indivíduos ou à vida; que a arte seja algo especializado ou feita por especialistas que são artistas. Entretanto, não poderia a vida de todos se transformar numa obra de arte? Por que deveria uma lâmpada ou uma casa ser um objeto de arte, e não a nossa vida?"

Michel Foucault

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Muito trabalho...

Quinta, fui até a ufsc pegar alguns textos para a minha pesquisa. Depois de selecionar cinco revistas com artigos bem legais na Biblioteca da Educação, fui até o xerox mais perto para fazer cópia dos artigos (que nem eram muitos, tipo dois ou três por revista).
O movimento não era grande na pequena sala com três máquinas e três funcionários. Quando chegou a minha vez, a moça que me atendeu olhou para as revistas e foi enfática:
- Não dá pra fazer tudo isso de cópias. É muito trabalho!
Eu, meio que não entendendo, pedi que ela explicasse melhor.
- É muita coisa. Vai demorar muito e ocupar a máquina durante muito tempo.
Olhei para as máquinas e uma delas estava desocupada, mas o olhar da moça continuava contrariado, encarando a pilha de revistas.
- Tá, quantas tu pode fazer pra mim?
- Ah, umas duas.
- Bom, vou tentar em outro xerox.
Saí confiante mas sem notar o olhar de descrédito da moça do xerox. Devia ter prestado mais atenção.
Depois de muito pernear pelo campus, o resumo da tarde: fui em quatro lugares diferentes e em todos obtive a mesma resposta: é muito trabalho...
Só consegui fazer cópias de um a dois textos por lugar. Não sei quantas vezes vou ter que voltar lá para conseguir todos os textos, ainda mais sem dar "trabalho" ou "muito trabalho" para o pessoal do xerox da ufsc.
Vou descobrir, afinal, estamos na Ilha da magia...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Criança e consumo

Hoje, vários blogs comentam a pesquisa que saiu sobre o perfil de crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual. O dado comentado (e com muita surpresa em vários posts) é o que mostra que 65% desses jovens usam o dinheiro para comprar objetos de consumo (ver, por exemplo, o post do Diário Gauche).

O que me choca é a surpresa por parte de alguns, como se não vivêssemos numa sociedade de consumo, estimulado desde cedo, intensamente. Recomendo o documentário "Criança, a alma do negócio", dirigido por Estela Renner (pode ser visto aqui) para todos que se interessam pelo tema (obrigatório para educadores!). É um ótimo ponto de partida para se pensar a questão, que é muito mais complexa e envolve muito mais níveis de análise do que se imagina.

O documentário questiona a publicidade dirigida às crianças e revela a produção de subjetividades que se dá a partir das práticas consumistas veiculadas na TV e nos artefatos culturais produzidos para esse público. Não concordo que se faça uma "demonização" explícita da publicidade, mas acho que é preciso pensar nisso, olhar para essa produção de desejos forçada e já tão naturalizada por nós. Só para começo de conversa...